RSS

Monthly Archives: August 2005

bom dia

                  
 
 
 
Bom dia blog! Há já alguns dias que não te actualizava… Sabes, tenho andado a saborear o ‘dolce fare niente’, as férias, a preguiça  boa, o descanso merecido de umas férias caseiras, mas boas…
Que tenho feito? Leio, arrumo a casa (tento, mas as cadelas não ajudam muito; também eu nunca fui uma fada do lar!), comunico no msn, vou à praia (tento, às vezes não dá, é que, sabes, levar as cadelas comigo é um prazer de que não abdico e agora tenho que fazê-lo muitas vezes… então simplesmente não vou…), passeio um pouco com o jo, escrevo…
Apesar deste ‘distanciamento’ da realidade, não deixo de me preocupar com o mundo, com o meu país a arder! Que deprimente! Que cenário dantesco! Não sei onde este ‘descuido’, este ‘crime’ horrendo nos vai levar! A bom  porto não será, porém! Estamos a destruir o que de melhor temos: o ar que respiramos que, por enquanto, ainda é de graça… Julgo que nada mais me entristece tanto do que ver a minha  amiguinha natureza gritar por socorro, ouvir as árvores a gemer de dor, os pássaros a esvoaçar ferozmente e algumas aves migratórias a fugir deste país outrora tranquilo e acolhedor… Creio mesmo que muitas nem voltarão…
E o mar… o mar queixa-se também muito, e sente que tem agora que ajudar mais, que tem uma tarefa redobrada… Sobrecarregado, anseia pelas tempestades de inverno onde poderá rebelar-se e dar asas à sua indignação e revolta…
A areia, essa, fustigada pela fuligem e por algumas cinzas, sente-se adulterada e sonha com as noites imensas a sós com o mar que agora apenas lhe sussurra suspiros longuíssimos e nela chora as dores acumuladas… Ambos deambulam, tristemente,de lá para cá, de cá para lá, sem saber o que fazer, o que sentir, o que chorar e, acima de tudo, como o expressar… é que todos contam com eles ali, belos, firmes, serenos, plenos de força e vigor, para se refastelarem na sua preguiça de veraneantes…e mar e areia sentem-se tão sem forças…
O céu continua lá, cansado, esgotado, quase a asfixiar com tanto fumo, incapaz de se mostrar a muitos, de ser visto por tantos… E sente-se invadido inúmeras vezes por helicópteros, avionetas e aviões apressados que não viajam, mas apenas circulam num frenesim nunca antes por ele visto nem sentido… E ele, céu ourora azul, precisa agora de socorrer-se das máscaras de oxigénio e do estojo da pintura que guarda num baú que não gosta de abrir…
O sol, sempre presente, com imensa vontade de se ausentar,  reveste-se  de um vermelho de raiva, já que não o deixam beijar a superfície da terra lentamente, esticar-se sem pressa, aquecer-se docemente, alargar os braços calmamente para abraçar mais um dia, alegrar o mundo e a vida, encher os dias de luz e alegria e reinar, como só ele, sol intenso, o sabe fazer… e chora, amarga e copiosamente, para si mesmo, sim, porque também ele é sensível, embora deixe para a lua o privilégio da sensibilidade e dos humores constantes, e suspira dia e noite pelo seu reinado pleno em que se vê admirado, apreciado, iluminado sem o ofuscar provocado por gigantescas nuvens de fumo, senhoras que ele não venera de forma alguma… Sente, então, saudades das nuvens carregadas de gotas de água que o escondem mas não o ocultam nem lhe provocam alergias nem embargos de voz…
A lua cruza-se de longe com o sol que já nem lhe lança piropos nem piscadelas e entristece-se porque, apesar das divergências entre ambos, sente-lhes a falta e suspira com saudades desse ar fanfarrão e donjuanesco do sol, seu amante eterno, que lhe alisa o ego e lhe eleva a auto-estima… Insegura e inconstante, eis que surge cada vez mais pálida, com as faces amareladas e com grandes olheiras de dias mal dormidos por causa dos constantes soluços do sol que não lhe dão descanso… As suas noites são eternamente longas, abafadas, sem brilho, sem cor… E a sua cor torna-se cada vez mais oculta, baça, esbatida e ela sente-se mal, enjoada, esgotada, violada…Já nem nota as mudanças que opera, saltando sem energia de quarto em quarto…É aí que decide dedicar-se à escrita, ouvindo a sua própria voz amarga, libertando as suas frustrações, desabafando as suas mágoas, escondendo-se de si mesma… E quantas vezes se ouve dizer que as noites perderam já a sua graça e os dias perderam já  o revigorante sossego e a paz de que tanto precisa…
E ela, natureza-mãe, grita a plenos pulmões mas ninguém a ouve… parece mesmo que até o pai-eterno a abandonou e revolta-se a cada instante… só que ningém a escuta… E, sem forças para lutar, deixa-se arrastar pelo sofrimento, toma anti-depressivos de noite e ansiolíticos de dia e  promete  a si mesma que, quando se sentir reerguida e recuperar as suas forças ocultas e adormecidas,  acordará para se vingar… E não sentirá remorsos, nem insónias, nem pesadelos… Porque está farta de ser esquecida e de que pensem que  a sua (grande, mas limitada) capacidade de regeneração transformará a ordem em caos com o simples accionar de uma varinha de condão… Só que se esquecem que ela, mãe generosa, apesar de mágica não entra em esquemas nem em feitiçarias e quer ser respeitada… e promete vingar-se… Simplesmente espera por uma oportunidade que lhe permita libertar os inocentes… isso sim, é que lhe tira o sono e lhe esgota as energias…até um dia, em que recupere o vigor e se agite… então será, talvez, tarde demais…
 
 

 

-—————————————————- 

      Edward Munch, O Grito
 
-—————————————————-
 
1 Comment

Posted by on 23 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

as minhas ‘meninas’

LILLY

 

 

Lilly é a minha melhor amiga. Veio para casa comigo quando tinha apenas duas semanas. Amedrontada, passou dois dias inteiros debaixo dum banquinho a tremer de medo. Depois, aos poucos, foi começando a adaptar-se à casa, a mim, ao meu ritmo, à minha vida. E o que era só meu passou a ser nosso.

Era tão pequenina que não conseguia subir para o sofá nem para a minha cama. Então gritava e refilava para que a ouvisse e ajudasse. E, de certa forma, habituou-se a ter-me e a conseguir de mim o que queria.

 Desde logo elegeu um cantinho seu, do qual só abdicava para vir ter à minha cama. De dia para dia foi crescendo, meiga, terna, alegre e muito atrevida. E também muito exigente. Parece que todo o amor que lhe dedico é, por vezes, pouco, precisando de provas constantes e de muita atenção. Hoje tem já sete meses e continua muito terna, refilona, insistente, viva e muito, muito esperta. Conhece já cada hábito meu, cada gesto, cada olhar, cada tom de voz. Reconhece imediatamente cada som, especialmente os que se relacionam com a cozinha ou com as suas refeições. Sabe já quando pode ou não acompanhar-me e anima-me muito. E o seu olhar atento, sempre à espera de um gesto meigo e de uma palavra doce, enternece-me e alegra-me. Faz despertar em mim instintos maternais e protectores que desconhecia poder sentir por um animal. Afinal ela é só uma cadelinha!

Adora dormir sonecas no sofá, deitando-se no meu colo, aconchegando-se muito, parecendo indefesa, mas despertando ao mínimo ruído estranho, ao mais pequeno movimento meu. E acorda, minutos depois, cheia de energia, pronta para brincar, beijar e, sobretudo, mordiscar. E observa-me constantemente. Atentamente.

Para além de toda a sua graciosidade o que tem de mais interessante são as orelhas que movimenta como ninguém, parecendo radares prontos a captar o melhor canal, a melhor sintonia.

Lilly tem agora quase nove meses. Continua igual a si mesma. Enérgica, atenta, traquina, fazendo muitas asneiras quando a deixo muito tempo só. Tem o olhar mais querido e expressivo do mundo e conhece-me melhor que ninguém. E aceita-me. Talvez porque ela é um ser perfeito. Perfeito na sua integridade animal, na sua pureza e sinceridade de sentimentos. É tão espontânea nas suas atitudes e reacções que nela me reencontro e redescubro a cada dia, a cada momento. É também tão independente e autónoma na sua dependência e fidelidade que me faz sentir, também, livre. Damo-nos bem e só nos falta adivinhar os pensamentos mútuos, mas creio que tal não é primordial. Respeitamo-nos e amamo-nos. Alegremente.

 

Lilly tem agora três anos. E parece que, para ela, o tempo não passa. Continua a mesma brincalhona, o mesmo ser enérgico e eléctrico, meigo e muito, mas muito sensível. Lilly dá-se aos outros como poucos humanos conseguem fazer. É uma grande beijoqueira, às vezes algo bruta por causa do entusiasmo e do carinho expressivos que manifesta. Continua muito criança, feliz, amada, observadora. E não tem qualquer tipo de problema em mostrar que não concorda comigo ou não está para me aturar. Lilly é muito, muito sincera.

 

Agora preciso também escrever sobre a Gummi que entrou nas nossas vidas há quase dois anos. A Gummi é a pachorra em cadela. (Depois vou continuar—)

 

 
Leave a comment

Posted by on 7 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

terapia(s)

TERAPIA 1

 

 

Escrever, escrever,

até que a alma adormeça,

o coração sossegue,

a lágrima tropece

e a dor cesse.

 

Escrever, escrever,

até que os dedos se cansem,

os olhos se fechem,

o ser se encontre e reveja

num papel macilento, amargurado

que, paulatinamente, se refastela na sua preguiça

e se esquece do que é, de quem é,

que existe, que resiste…

 

Escrever, escrever,

até que gargalhadas sonoras me despertem,

o sorriso regresse,

o medo se desvaneça,

o corpo se esqueça

e se resigne…

por minutos, horas, dias,

e, embalado pela melodia das teclas,

se deite, se aloje e

descanse.

 

 

 

TERAPIA 2

 

Escrever

Sempre, muito,

muito.

Anestesiando a dor

a falta de amor,

refastelando-me na preguiça do meu ser

que teima em não se abrir,

não confiar, não partilhar,

não se dar.

E, só nestas teclas e neste papel,

acalmo e me refugio deste mundo cruel,

encontro paz e esperança,

acordo sem ter adormecido

e me alegro de existir.

Egoisticamente,

sendo somente um ser à procura …

 

 

 
Leave a comment

Posted by on 7 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

tia-avó

 

Tia-avó

Também tu nos deixaste e a saudade e a referência ficou. A tua lembrança estará sempre presente cada vez que o amor também  o esteja.

Sempre te conheci velhinha. Não admira, já que ias fazer 102 anos em Junho e sempre te vi como a avó que não conheci, que não abracei nem beijei.

Eras, e serás sempre, a tia de Ribas que todos adoravam visitar. Eu, particularmente, admirava o teu calor, a tua simpatia, a tua boa – vontade. Tinhas sempre uma palavra amiga e um mimo para fazer. Como boa anfitriã que eras, oferecias tudo o que tinhas de melhor, sem saber que tu eras o que de melhor se podia receber. E lamentavas-te porque já não podias ajudar. E porque ultimamente vias muito mal (as cataratas não to permitiam), embora o teu ouvido e a tua memória estivessem sempre tão atentos e lúcidos como se fosses uma jovenzinha.

 A tua graciosidade de anciã encantava todos, seduzia muitos. Transmitias paz e conforto como poucos conseguem fazer. E amavas, calmamente, tudo e todos os que te rodeavam. Sempre com a mesma serenidade e simpatia, sempre com a mesma ternura e afecto. E foste sempre tu, muito tu, só e simplesmente tu. A complexidade da alma e da vida (como eu a vejo) tu não a chegaste a sentir. Era como se o teu ritmo de vida fosse outro, pleno e intemporal.

O meu sonho de hoje é assemelhar-me a ti, aproximar-me da tua perfeição tão humana, da tua plenitude. Resta-me o exemplo a seguir, o caminho a percorrer pelos meus próprios pés, o amor a distribuir com o olhar, com os gestos ternos de quem está de bem com Deus e com a vida. Resta-me a tua referência e uma longa, incurável saudade.

 
Leave a comment

Posted by on 7 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

olá eugénio

 
 
 
 
"É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios
e manhãs claras."
 
 
 
Eugénio de Andrade
 
 
 
Leave a comment

Posted by on 7 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

cinderela

História da Cinderela – COMO CONTAR A HISTÓRIA DA CINDERELA ÀS CRIANÇAS.

 

Há bué da time havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela, Cindy para os amigos, parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia bué da cenas. É então que a Cindy fica saber de alta cena que ia acontecer: uma party!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram lhe as bases. Ela ficou completamente passada, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda bacana e ela ficou a parecer uma g’anda febra. Só que ela só podia afiambrar da cena até ao bater das 12. A tipa mordeu o esquema e foi pa borga sempre a abrir. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou. Ai a Cindy passou se dos carretos e esbundaram "all night long" até que ao ouvir das 12 ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de fuga e foi atrás dela mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura do chispe que entrasse no chanato. Como era alto cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que tiveram g’anda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapos. No fim, a garina e o chavalo curtiram largo e foram mm bué da happy.

 

 
2 Comments

Posted by on 2 de August de 2005 in Uncategorized

 

Tags:

 
Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 75 other followers