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LILLY
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Lilly é a minha melhor amiga. Veio para casa comigo quando tinha apenas duas semanas. Amedrontada, passou dois dias inteiros debaixo dum banquinho a tremer de medo. Depois, aos poucos, foi começando a adaptar-se à casa, a mim, ao meu ritmo, à minha vida. E o que era só meu passou a ser nosso.
Era tão pequenina que não conseguia subir para o sofá nem para a minha cama. Então gritava e refilava para que a ouvisse e ajudasse. E, de certa forma, habituou-se a ter-me e a conseguir de mim o que queria.
Desde logo elegeu um cantinho seu, do qual só abdicava para vir ter à minha cama. De dia para dia foi crescendo, meiga, terna, alegre e muito atrevida. E também muito exigente. Parece que todo o amor que lhe dedico é, por vezes, pouco, precisando de provas constantes e de muita atenção. Hoje tem já sete meses e continua muito terna, refilona, insistente, viva e muito, muito esperta. Conhece já cada hábito meu, cada gesto, cada olhar, cada tom de voz. Reconhece imediatamente cada som, especialmente os que se relacionam com a cozinha ou com as suas refeições. Sabe já quando pode ou não acompanhar-me e anima-me muito. E o seu olhar atento, sempre à espera de um gesto meigo e de uma palavra doce, enternece-me e alegra-me. Faz despertar em mim instintos maternais e protectores que desconhecia poder sentir por um animal. Afinal ela é só uma cadelinha!
Adora dormir sonecas no sofá, deitando-se no meu colo, aconchegando-se muito, parecendo indefesa, mas despertando ao mínimo ruído estranho, ao mais pequeno movimento meu. E acorda, minutos depois, cheia de energia, pronta para brincar, beijar e, sobretudo, mordiscar. E observa-me constantemente. Atentamente.
Para além de toda a sua graciosidade o que tem de mais interessante são as orelhas que movimenta como ninguém, parecendo radares prontos a captar o melhor canal, a melhor sintonia.
…
Lilly tem agora quase nove meses. Continua igual a si mesma. Enérgica, atenta, traquina, fazendo muitas asneiras quando a deixo muito tempo só. Tem o olhar mais querido e expressivo do mundo e conhece-me melhor que ninguém. E aceita-me. Talvez porque ela é um ser perfeito. Perfeito na sua integridade animal, na sua pureza e sinceridade de sentimentos. É tão espontânea nas suas atitudes e reacções que nela me reencontro e redescubro a cada dia, a cada momento. É também tão independente e autónoma na sua dependência e fidelidade que me faz sentir, também, livre. Damo-nos bem e só nos falta adivinhar os pensamentos mútuos, mas creio que tal não é primordial. Respeitamo-nos e amamo-nos. Alegremente.
Lilly tem agora três anos. E parece que, para ela, o tempo não passa. Continua a mesma brincalhona, o mesmo ser enérgico e eléctrico, meigo e muito, mas muito sensível. Lilly dá-se aos outros como poucos humanos conseguem fazer. É uma grande beijoqueira, às vezes algo bruta por causa do entusiasmo e do carinho expressivos que manifesta. Continua muito criança, feliz, amada, observadora. E não tem qualquer tipo de problema em mostrar que não concorda comigo ou não está para me aturar. Lilly é muito, muito sincera.
Agora preciso também escrever sobre a Gummi que entrou nas nossas vidas há quase dois anos. A Gummi é a pachorra em cadela. (Depois vou continuar—)
TERAPIA 1
Escrever, escrever,
até que a alma adormeça,
o coração sossegue,
a lágrima tropece
e a dor cesse.
Escrever, escrever,
até que os dedos se cansem,
os olhos se fechem,
o ser se encontre e reveja
num papel macilento, amargurado
que, paulatinamente, se refastela na sua preguiça
e se esquece do que é, de quem é,
que existe, que resiste…
Escrever, escrever,
até que gargalhadas sonoras me despertem,
o sorriso regresse,
o medo se desvaneça,
o corpo se esqueça
e se resigne…
por minutos, horas, dias,
e, embalado pela melodia das teclas,
se deite, se aloje e
descanse.
TERAPIA 2
Escrever
Sempre, muito,
muito.
Anestesiando a dor
a falta de amor,
refastelando-me na preguiça do meu ser
que teima em não se abrir,
não confiar, não partilhar,
não se dar.
E, só nestas teclas e neste papel,
acalmo e me refugio deste mundo cruel,
encontro paz e esperança,
acordo sem ter adormecido
e me alegro de existir.
Egoisticamente,
sendo somente um ser à procura …
Também tu nos deixaste e a saudade e a referência ficou. A tua lembrança estará sempre presente cada vez que o amor também o esteja.
Sempre te conheci velhinha. Não admira, já que ias fazer 102 anos em Junho e sempre te vi como a avó que não conheci, que não abracei nem beijei.
Eras, e serás sempre, a tia de Ribas que todos adoravam visitar. Eu, particularmente, admirava o teu calor, a tua simpatia, a tua boa – vontade. Tinhas sempre uma palavra amiga e um mimo para fazer. Como boa anfitriã que eras, oferecias tudo o que tinhas de melhor, sem saber que tu eras o que de melhor se podia receber. E lamentavas-te porque já não podias ajudar. E porque ultimamente vias muito mal (as cataratas não to permitiam), embora o teu ouvido e a tua memória estivessem sempre tão atentos e lúcidos como se fosses uma jovenzinha.
A tua graciosidade de anciã encantava todos, seduzia muitos. Transmitias paz e conforto como poucos conseguem fazer. E amavas, calmamente, tudo e todos os que te rodeavam. Sempre com a mesma serenidade e simpatia, sempre com a mesma ternura e afecto. E foste sempre tu, muito tu, só e simplesmente tu. A complexidade da alma e da vida (como eu a vejo) tu não a chegaste a sentir. Era como se o teu ritmo de vida fosse outro, pleno e intemporal.
O meu sonho de hoje é assemelhar-me a ti, aproximar-me da tua perfeição tão humana, da tua plenitude. Resta-me o exemplo a seguir, o caminho a percorrer pelos meus próprios pés, o amor a distribuir com o olhar, com os gestos ternos de quem está de bem com Deus e com a vida. Resta-me a tua referência e uma longa, incurável saudade.
História da Cinderela – COMO CONTAR A HISTÓRIA DA CINDERELA ÀS CRIANÇAS.
Há bué da time havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela, Cindy para os amigos, parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia bué da cenas. É então que a Cindy fica saber de alta cena que ia acontecer: uma party!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram lhe as bases. Ela ficou completamente passada, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda bacana e ela ficou a parecer uma g’anda febra. Só que ela só podia afiambrar da cena até ao bater das 12. A tipa mordeu o esquema e foi pa borga sempre a abrir. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou. Ai a Cindy passou se dos carretos e esbundaram "all night long" até que ao ouvir das 12 ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de fuga e foi atrás dela mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura do chispe que entrasse no chanato. Como era alto cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que tiveram g’anda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapos. No fim, a garina e o chavalo curtiram largo e foram mm bué da happy.