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Monthly Archives: February 2006

‘Bushices’

 
A 5a Emenda, por George W. Bush
 
In: JN, NS, 11 Fev. ’06
 
 
(Em Manhattan, Kansas, quando lhe perguntaram se já tinha visto o filme ‘ O Segredo de Brokeback Mountain’, protagonizado por dois cowboys gays)
 
 
 
"Estou pronto para falar sobre criação de gado, mas ainda não vi o filme. Já ouvi falar dele. Espero que vocês o vão ver, quer dizer, espero que vocês regressem aos ranchos e aos campos, era mais isto o que queria dizer."
 

 
Comentário:
 
Resta-me apenas, enquanto autora de e responsável por este blog, rir, rir e rir. Depois de rir (por falta de lágrimas à mão de cair pelas faces em enorme abundância), o que sobra é o enorme amargo de boca ou o sorriso amarelo ao canto da boca, o desencanto total, a revolta, a quase fúria por ‘permitirmos’ que senhores como este ‘nos manobrem como marionetas’ ( incluindo-me no conceito global da humanidade, dos eleitores que escolhem os políticos que governam as suas nações, os seus países e, indirecta ou directamente, o Mundo. E as suas vidas, as dos seus filhos e netos…)
Cabe-me ainda questionar (enquanto puder ter liberdade de expressão para isso) até que ponto, numa hipotética democracia, (sim, hipotética, dado que o conceito tal como o entendo me parece não existir… na prática não o visualizo…) o comum cidadão tem poder de decisão para o que quer que seja… Mesmo nas escolhas que fazemos, mais ou menos conscientes, mais ou menos convictas, não seremos nós, todos, de certa forma, sempre, ludibriados, conduzidos, instrumentalizados, atraídos pelo poder da palavra e pela demagogia que lhe está tantas, tantas vezes subjacente? Poderá algum de nós dizer que não foi enganado, iludido, defraudado, que não se deixou arrastar? Quando é que eles, os senhores do ‘poder’ (seja isso o que quer que seja…)  nos mostram o ‘jogo’? Desde quando fazem os políticos política ‘à séria’? Onde está o limite entre a política e a politiquice? Não será sempre o seu ‘leitmotiv’ o jogo de interesses? Poderá eventualmente um qualquer candidato íntegro e coerente sobreviver e vencer no meio de tão grande caos e de tão violenta selva onde (julgo eu) até já vale ‘tirar olhos’, nem que este ‘tirar olhos’ seja o obrigar a semi-cerrá-los por instantes, por muito breves que sejam?
Quanto à citação do NS, do JN, e ao Sr. G.W. Bush ou não há palavras ou, todas as que se proferirem, serão poucas para gritar ao mundo o que se pensa de tal criatura. Seria, talvez, necessário inventar dicionários novos ou banir e reciclar os conceitos que até agora interiorizámos de tanta coisa! Inventem-se novos políticos! Inventem-se novos vocábulos para os descrever e caracterizar!
O que quererá realmente dizer este senhor com a declaração supra-citada? Terá ele realmente ouvido a questão, ter-se-á ouvido a si mesmo, ou terá respondido simplesmente como se se tratasse de um músico sem capacidade de improviso a quem retiraram a pauta da frente? (De consciência do proferido nem me atrevo a falar…) Restar-lhe-á ainda algum neurónio ou ter-lhe-ão saltado os poucos que (talvez) ainda lhe restassem (e, mesmo assim, ponho as minhas dúvidas) num qualquer ‘rodeo’ em que participou, de tanto lutar contra um touro enraivecido? E, expliquem-me se conseguirem, por que razão terá o povo americano eleito este exemplar humano tão pouco Homem?
 
 
Nota: A liberdade de expressão tem limites. Eu sei. Arriscamo-nos tantas vezes ao fazê-lo num simples café, no nosso local de trabalho, numa repartição pública, na rua, até… Porque essa liberdade só existe enquanto não ‘perturbarmos’ uma qualquer ‘força’, um qualquer organismo de ‘poder’… E entendam o conceito ‘poder’ sob o ponto de vista negativo, neste caso… costuma confundir-se poder com interesses de naturezas várias… e em qualquer canto e esquina nos cruzamos com alguém que conhece alguém que conhece alguém que está ligado a alguém que precisa de alguém que…
O poder conquista-se, não se impõe. O poder implica respeito, sabedoria, franqueza, integridade, verdade. Mas esse é o meu ponto de vista ‘extra-terrestre’ das coisas.
Não se espantem, por isso, se o meu blog, um destes dias, deixar de existir. ‘But…who cares?’
 
 
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Posted by on 19 de February de 2006 in Sem categoria

 

Tags:

literatura brasileira

 

Cecília Meireles 

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Memória


Minha família anda longe
contravos de circunstancias:
uns converteram-se em flores,
outros em pedra, água, líquen,
alguns, de tanta distância,
nem têm vestígios que indiquem
uma certa orientação.

Minha família anda longe,
- Na Terra, na Lua, em Marte -
uns dançando pelos ares,
outros perdidos no chão.

Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte…
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços…
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
vejo lábios, vejo braços,
- por um momento, persigo-os;
de repente os mais exatos,
perdem a sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois, tudo vira vento,
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão.

Minha família anda longe.
Mas eu sei reconhecê-la:
um cílio dentro do Oceano…
um pulso sobre uma estrela,
uma ruga num caminho
caída como pulseira,
um joelho em cima da espuma,
um movimento sozinho
aparecido na poeira…
Mas tudo vai sem nenhuma
noção de destino humano,
de humana recordação.

Minha família anda longe.
reflete-se em minha vida,
mas não acontece nada:
por mais que eu esteja lembrada,
ela se faz de esquecida:
não há comunicação!
Uns são nuvem, outros lesma…
Vejo as asas, sinto os passos
de meus anjos e palhaços,
numa ambígua trajetória
de que sou o espelho e a história.
Murmuro para mim mesma:
"É tudo imaginação!"

Mas sei que tudo é memória…

 

 


"…Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda…"

(Romanceiro da Inconfidência)

 

Cecília Meireles 1901-1964)

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"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei-de morrer menino. E o buraco da fechadura é,  realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

 


 

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

                        

  Nelson Rodrigues

 

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Posted by on 17 de February de 2006 in Uncategorized

 

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