A pintura tem sido para mim, desde Agosto de 2009, um bálsamo para o espírito, uma forma de expressão que eu desconhecida até então, uma descoberta do mundo no Eu e do Eu no Mundo.
Não sei se foi ela que me descobriu se fui eu que a descobri a ela. Nem sei sequer se sei pintar. Mas talvez isso seja simplesmente irrelevante. Procurei-a e ela permitiu-me que a conhecesse.
O interessante aqui é mencionar o prazer que me dá ver as cores do pastel a óleo ganharem forma e vida nas telas, o entusiasmo com que as linhas fluem e os contornos convergem entre si, o meu voar entre cores e tons, o meu mergulhar no seio de imagens e mensagens secretas. E o pintar com Amor. E o efeito catártico da pintura que amaina as dores e as transporta para a tela, serenando-me a ponto de me (as) adormecer.
Adormecer a pintar é para mim algo inexplicável e quase indescritível, sem borrar a tela, segurando simplesmente o pastel numa das mãos como quem pinta em sonhos. Nunca adormeci a escrever, contudo. Eis então que descobri que, a escrita, sendo excelente terapia, me acalma menos. E me agita mais. A escrita desperta em mim o meu lado mais rebelde, revolucionário, recalcado, que precisa de ‘voz’ escrita para não asfixiar.
A pintura serena-me. Tal como a música. É como se eu fosse a pequena bailarina dos meus sonhos de menina que rodopia na tela, ao som da música, deixando as marcas dos seus passinhos impressas em contornos de cor e luz. E a bailarina dança e dança e rodopia e, no final, o seu dançar ágil e gracioso construiu imagens que podem ser vistas pelos olhos de todos, mas só entendidas pelos olhares de alguns. Tal como o seu dançar e a beleza dos seus gestos e movimentos.
Ah, se um olhar bastasse! Ah, se um toque de pastel ou cor bastasse para se retratar toda a beleza do Universo! Ah, se uma tela bastasse para serenar esta dor que dura há já uma eternidade!
Não chega, eu sei. Mas ajuda. E muito. Milagres? Não acredito neles.