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Monthly Archives: April 2011

Pensamentos a dois

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Meu querido:

Gostei muito do teu texto e, mais ainda, de o teres partilhado comigo.

Como eu te compreendo e me identifico com o que pensas e escreves!

É realmente difícil viver nesta selva a que chamamos de Mundo, governado por Homens, seres ditos pensantes e racionais.

Até podem pensar, mas pensam mal ou pensam olhando na direcção errada. Até podem ser racionais; falta-lhes sensibilidade e sentido de justiça. Umbiguistas, a maior parte deles; hipócritas e demagogos, são esses senhores as verdadeiras ovelhas do rebanho, só que não o sabem. Sem um partido, sem apoiantes ‘sombra’ nada seriam. Quando são ditadores, nada seriam sem os seus capangas. Não passam de cobardes dentro de fortalezas.

Mas, diz-se, o poder corrompe. É perigoso…

A ‘culpa’ não é bem do ‘poder… É do Homem e da sua ambição desmedida que não domina, não combate, não abate. O poder foi algo inventado pelo Homem, não o inverso; não se culpe então o poder… Não se desculpem os actos das criaturas por algo que elas mesmo, ou outras antes delas, mas humanas também, criaram, institucionalizaram.

O desejo de ‘Poder’ está na natureza do Homem, nuns mais que noutros, tal como a raiva, o ódio, a inveja e outros sentimentos que nele residem a que se pode dar asas e permitir voar, atacar, ou amainar, adormecer, adocicar, trazendo ao de cima o positivo, o nobre, o bom, o melhor para todos. E o melhor para todos deveria ser a principal preocupação de qualquer Governante no desempenho das suas funções. Não no discurso demagogo, na promessa, no lirismo das palavras para que o povo, inculto ou ‘analfabeto funcional’, na sua maioria, diga:”falou bem, sim Sr!”, embora não tenha percebido patavina.

O povo vota, o povo escolhe… Quando vota e quando escolhe! Ou quando o faz ‘pensando pela sua própria cabeça’, e não sob a influência de terceiros, seja ela de que natureza for.

Quando a grande vencedora de umas eleições, sejam elas de que natureza forem, é a abstenção, deveria ser declarado luto nacional. Algo vai muito mal neste pequeno rectângulo. Seria premente uma reflexão muito bem-feita sobre o assunto e não o vangloriar-se com uma vitória… Aqui não houve vencedores. Todos saíram derrotados. Ou foi a comunicação social que manipulou os resultados com as projecções? (não era caso inédito)

O povo é ‘liderado’ (não reconheço um líder aqui!) muitas, tantas vezes, por doentes mentais, esses sim, maquiavélicos, frustrados, psicopatas que canalizam a sua demência ao extremo fazendo uso do abuso do poder.

Outras vezes servem-se de maior subtileza, mas… a demagogia é uma arma perigosa e igualmente mortífera. Mata as mentes antes que elas despertem para a vida, para o saber. E um povo ignorante é, quase sempre, o melhor trunfo para qualquer Governo que queira reinar à vontade. (cf. Portugalzinho)

Democracia? Onde estás? Será que existes ou não passas de mais uma bela palavra usada em vão, quase sussurrada aos ouvidos dos mais crédulos, gasta de tão pronunciada, e se vai como o vento e com o vento, sem ficar, sem se saber o que é, sem se saber viver nela, sem se ver, sem se sentir…?

A Política é uma ciência que eu admiro. Chego até a ter um certo fascínio por ela. Mas… quem faz política nos dias de hoje, digam-me?! Politiquice, esse termo menor, conheço sobejamente. Neste país de que não me orgulho é o prato do dia. Serão os políticos o espelho do povo? Ou o inverso?

E estamos cada vez mais a regredir e nunca, mas nunca a caminhar para sociedades mais evoluídas (não só do ponto de vista economicista e tecnológico- esta até deveria ser a preocupação menor), mais democratas, mais justas, mais humanas. Alguém está preocupado REALMENTE com o ambiente, com o futuro das gerações vindouras? Não o creio. Alguém está realmente interessado em AJUDAR alguém sem contrapartida? Tão pouco o creio. E atiram-nos areia para os olhos com uma pinta!

Vivemos? Não! Sobrevivemos. Existimos.

Pensamos? Criticamos? Muito, muito pouco.

Interessamo-nos? Quase nada.

Reclamamos? Intervimos? Só na conversa de mesa do café.

Da minha parte continuarei a defender com unhas e dentes os meus ideais de igualdade, justiça social e fraternidade. Sonhadora?! Talvez. É pelo menos assim que me apelidam. E dizem-me: ’aterra!’ muitas vezes. Mas, quando ninguém me quiser já ouvir ou não me for permitido falar, terei sempre o meu pensamento: aí, sim, sou livre. E, esse, ninguém mo pode tirar! É ele também a minha grande riqueza!

Por enquanto, e na falta de ouvintes plenos, tenho a minha escrita (a fala suprema) e a minha má pintura.

E aqui vou citar-te Manuel António Pina (conheces de certeza; colunista do JN; jornalista e escritor): “Já não escrevo para mudar o mundo, mas para que ele me não mude a mim.”

Mas, sabes… não creio que sejas assim tão ‘carneiro’, muito menos um ‘cancro’… Senão nem te dedicavas a reflectir nestes assuntos, e muito menos a escrever sobre eles. Não sentias angústia, nem impotência. Não pensavas sequer. Seguias. Ao sabor do vento, por ele levado, arrastado, contente da vida, ‘acomodado’, desde que na tua mesa não faltasse o pão… e o conduto, claro!

Para além disso, és um ser humano bom. Nunca, mas nunca te sintas um cancro, faz-me esse favor, senão eu sou uma epidemia!

Um beijinho fofo.

Celeste

 
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Posted by on 17 de April de 2011 in Sem categoria

 

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Chuva

Chuva.

Chuvinha, chuvosa, chovida, chuvada.

Chorona, chorada.

Há quem ande à chuva,

Quem esteja à chuva,

Quem apanhe chuva,

E quem por ela seja apanhado.

Há quem cante à chuva,

Quem dance à chuva,

Quem beije à chuva,

Coisa de crianças, ‘loucos’ ou

Apaixonados.

Há quem fuja da chuva.

Há também, quem o não faça,

por protocolo, elegância,

ou falta de forças.

Há quem ore por chuva, para que venha, para que chegue,

Para que refresque a terra árida e mate a sede.

E quem faça promessas para que pare.

Para que pare. Para que não morram.

Há chuva para todos e para todos os gostos e desgostos.

E a chuva, quando cai, é para todos, mas não é a graça de todos.

Porque todos, Universo meu, nosso, são demasiados!

 

Cel.

01/02/2011

 
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Posted by on 12 de April de 2011 in Sem categoria

 

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