“E… os cravos… caíram por terra” poderia ser um título possível para esta imagem, numa altura em que o símbolo de Abril, divulgado qual medida de marketing, já não aguenta mais a forma como tem vindo a ser tratado…
Pudessem as flores falar, e os cravos vermelhos teriam há muito, muito tempo, gritado aos quatro ventos a sua própria revolução.
Dotados de vontade própria, ter-se-iam naturalmente unido e imediatamente murchado, ao se verem colocados em jarras e adornos de festejos hipócritas para celebrar e homenagear o que não se cumpre.
Tivessem ainda força anímica e os cravos vermelhos voariam à velocidade da luz dalgumas lapelas onde cuidadosamente são introduzidos, enfeitando os ‘senhores do poder’ para a fotografia, porque um cravo em Abril fica sempre bem como convém.
E “os cravos caíram por terra” porque a natureza é, sempre, mais verdadeira. A dos cravos e a de alguém que se lhe assemelha.
Se um destes “Abris” os cravos não florirem… pintá-los-ão… bem sabemos, oh, se e como sabemos! Para que a “festa” se faça e se atire areia para os olhos do povo…
Se a tinta acabar… usar-se-ão cravos de plástico, quiçá, ou de outras “artificialidades”, claro está! (Será apenas mais uma entre tantas e, no que toca à arte camaleónica, inacta a alguns, herdada por outros, para tantos só custa começar!) Poupar-se-á nos cravos, bem necessário nos tempos que correm!) que serão conservados em “arquivo activo” para anos seguintes. Para além disso… à distância ninguém nota a diferença e quem é que se atreve a comprovar a veracidade dum cravo?… (Ou… quem sabe? Quem sabe não divulguemos a nova medida de contenção: o corte com os gastos em flores naturais. O povo iria aplaudir… Uhm… Vou propor esta ideia em assembleia…)
O que importa é que se exibam “símbolos” e “ideais”, mesmo que no interior oco de escrúpulos e podre de valores deles se escarneça dos cravos, da cor vermelha e de outras cores…
Mas que a elegância e os abraços se troquem, sempre! De preferência na presença das luzes da ribalta, dos media, do povo expectante… Em prol de um Abril que eles, e outros como eles, mataram ao nascer.
Celeste
