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Category Archives: poesia

Inverno

 

Inverno

Quando o Inverno chega
e nos invade a alma,
entorpece os ossos, 
abandonando-nos à inércia 
e ao olhar vazio, lacrimejante e etéreo…
Sentimos frio, um frio imenso,
intenso,
penetrante…
Um frio de portas escancaradas, 
violentas correntes d’ar 
e buracos nas fechaduras do coração.
Um frio que nos percorre a medula 
e nos arrepia a todo o momento
sem cessar
sem cessar…

Quando o Inverno nos percorre as profundezas da alma
e trememos de frio por dentro, sem tiritar sequer,
não há nada nem ninguém que nos aqueça.
Nem aquele banho que ferve e nos queima a pele,
nem aquela lareira acesa que nos enrubesce o rosto!

Temos apenas frio e frio 
e enroscamo-nos cada vez mais sobre nós mesmos, 
em posição fetal, 
e queremos apenas o calor maternal que nos falta. 
Ou queremos o Verão ardente, em forma de mãe, para nos matar (d)esse frio.

Quando o Inverno nos ataca a alma
é a dor que nos invade. 
(E não a gripe!)
Fria, cortante, dilacerante.
A dor da perda, da ausência eterna,
das eternas ausências.
E o frio que sentimos é uma espécie de resposta do corpo-carne:
“Sinto falta, a tua falta.
E dói tanto que me arrefeceu a alma. 
E dói tanto que luto para que ela não gele.”

 

Celeste Santos

28 Dez. 2012

 
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Posted by on 28 de December de 2012 in poesia, prosa poética, the other me

 

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“Silence Voice” inspired me…

“Silence Voice”

“Sunset time, a peaceful burnt woods just surround you quietly. Together with your heart beating, you can feel the smooth breeze and hear the sounds of emerging exuberance underneath. The perfect ending is in the endless. The picture was taken in Yellowstone National Park. Turning themselves into such strong remaining, the woods have given hopes to their next generation through a wildfire.”

Photo Location:

Yellowstone National Park, Wyoming, USA

Photo and caption by chaoying zhao

in: National Geographic, Photo Contest 2012, week 8 / “Silence Voice”

___________________________________________________________

“Silence Voice” inspired me!  ;-)

Here’s the outcome. In Portuguese… Sorry, but the real, most intimate emotions are terribly hard to express in a foreign language…

;-)

Árvore decepada
 
Quando uma árvore adoece,
e os seus ramos secam,
ninguém pensa que lhe faltou água, luz ou sol, 
solo fértil ou arenoso
ou um ombro amigo doutra árvore sobranceira…
 
Diz-se antes que a qualidade saiu fraca, não vingou, 
e que se não voltam a plantar árvores de semelhante qualidade…
 
(Ainda por cima nem fruto dava,
de pouco ou nada servia,
pouco valia,
nada rendia…
 
Árvore de dar sombra…
Árvore de tirar sol…)
 
Então
abate-se, simplesmente, 
com um único e dilacerante golpe mortal.
Rapidamente.
 
“É boa para queimar,
e as raízes servirão para fazer uma fogueira enorme na noite de Natal.”
 
Talvez se venda a lenha, quem sabe?
 
Ou talvez nem para isso dê, se estiver oca.
 
Mas, depois,
(coisa esquisita!)
dá-se conta que as raízes continuam vivas,
bem vivas,
(como pode?!)
e pensa-se melhor no que terá acontecido a esta árvore que adoeceu…
 
Ou então não se pensa simplesmente em nada…
 
Seja como for, esta árvore, outrora doente,
não passa agora duma árvore 
decepada.
 
De árvore já não tem nada.
De árvore já não é nada.
Pode ser tronco, ramos;
pode ser raíz.
Pode ser lenha.
Pode até ser ex-sombra.
 
Mas deixou de ser árvore.Para sempre.
 
E para sempre é tempo demasiado.
Até mesmo para uma árvore.
 
 
 

Celeste

13 Nov. 2012

“Roots”, Frida Kahlo, 1943

 
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Posted by on 13 de November de 2012 in fotografia, our world, poesia

 

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É A HORA!

 

É a hora
de ouvir o relógio dos sentidos
e olhar atentamente para a ave que ainda alto voa…
Livre ainda é a ave. Belo, suave e fresco o seu alar.
 
Chegou a hora
de abrandar o ritmo, parar um pouco e meditar,
no tempo gasto em nada,
correndo à toa, sem razão, destino ou sentido…
Apenas olhando em frente, numa espécie de hipnose,
caminhando como autómatos, nada observando, nada sentindo.
Vida vazia. Vidinha.
 
Urge serenar
e olhar em redor.
Olhar, vendo.
 
E quando sairmos do nosso umbigo tudo terá uma tonalidade diferente 
e o nosso filme será, afinal, a cores.
Ou talvez não. 
 
Talvez nos revoltemos. 
Talvez fiquemos chocados com o que sempre evitámos ver. 
Porque o nosso filme não trás consolo a ninguém. Nem o dos outros a nós.
(Embora julguem que sim…)
Porque há filmes demais a preto e branco e tantos, mas tantos de um negro profundo.
 
E outros… outros… que já nem filmes são.
Foram filmes.
A fita humedeceu. Apodreceu. Acabou no lixo.
A fita queimou. A fita ardeu.
A fita pereceu.
 
É a hora de tratar o mundo como a nossa casa, o nosso lar,
e dele cuidar como dum menino de colo,
protegendo-o de tão indefeso que é.
 
O mundo já não tem guardiões à porta,
muito menos heróis para o salvar.
(Já não há heróis!)
Está habitado por bestas famintas e sequiosas para o atacar,
sempre à falsa fé, sempre de forma ardilosa e vil…
 
Chegou a hora de enfrentar 
aqueles que se dizem e se julgam “donos do mundo”!
É a hora de lhes dizer, gritando, para que oiçam bem:
“Não temos medo!”
E é imperioso lembrar-lhes que, também eles, são mortais. 
(Creio que compraram já a eternidade… Onde e a quem, não sei!). 
 
Chegou a hora de ter coragem, 
de mostrar coragem,
a coragem que esses cobardes não têm.
O dinheiro, afinal, não compra tudo.
Nem paga tudo.
Nem apaga tudo.
Como poderia, sendo a coisa mais suja em que tocamos?!
 
Cheira a podre. Um cheiro nauseabundo.
Tenho vontade de vomitar.
É o odor fedorento da corrupção.
Sinto nojo. Um nojo imenso!
É também a hora do seu “extermínio”.
É também a hora de dizimar a corrupção.
Difícil?! Impossível?! Nem tanto assim.
Basta começar por não se deixar corromper.
Tudo o resto é uma bola de neve.
E não me venham dizer que não é possível
porque não acredito!
Que não queiram, que vos seja favorável e cómodo…
Isso sim!
Sejam honestos convosco mesmos!
 
(…)
 
Está mais que na hora 
de ter a consciência de que
o mundo é de todos 
e não é de ninguém.
 
E se dele não cuidarmos,
mesmo sendo tarde,
o bebé desprotegido, 
já de si fragilizado,
adoece gravemente…
Num ápice entrará nos cuidados intensivos,
nos paliativos de seguida, 
acabando por sucumbir…
 
Os autores do crime, esses,
nunca se confessarão…
Mas no fundo, no fundo,
são as bestas humanas
que somos todos nós.
 
Depois…
gritar “ai, meu Deus”,
levantando as mãos para o céu, 
de nada serve.
Deus, a existir,
não se intromete nessas coisas.
 
 
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Posted by on 9 de September de 2012 in nós, our world, poesia, prosa poética

 

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Emília

A Emília é uma menina.

Uma menina cigana.

Tem oito anos e não sabe que dia vem depois do Domingo.

Tem três irmãos e duas irmãs, mas não sabe que os seus irmãos são cinco.

Sabe o nome da Professora, mas não se lembra quando entrou para a escola.

Insisto, que faça um esforço,

e a Emília diz: “Ah! Foi depois do Natal, quase logo a seguir…”

Mas não se lembra de escrever “Janeiro” no caderno diário.

Não me reconhece pelas feições, nem pelo aspecto, mas sim pelos sapatos.

“Da outra vez também trazia estes!”

A Emília vende pensos rápidos na rua, mas fá-lo com muito receio e timidez;

está sempre à espera do “Não!” que a assusta

por tão grande ser,

ou do encontrão.

No entanto, sorri. Timidamente.Tristemente. 

A Emília,

a menina que a Emília é, encolhe-se 

quando lhe passo a mão pelo longo cabelo…

Tem os olhos negros, profundos, doces,

mas sequiosos, inquietos, ansiosos… 

E aqueles olhos escondem e revelam tanta coisa!

Depois levanta-se e diz que tem que ir vender mais pensos.

“Eu ficava aqui consigo…”, diz.

Mas os pais estão a vê-la da carrinha.

E eu… Eu já não lhe compro mais pensos:

dou-lhe de lanchar e peço-lhe que estude.

(Que crédula eu!!!)

Tem oito anos. É uma menina.

Uma simples menina cigana…

Uma menina…

(…)

A Emília terá agora 19 anos…

Será que aquela menina,

agora uma mulherzinha,

aprendeu pelo menos a ler e a contar?

Ou (triste fado, triste vida)

será já mãe doutra Emília?

Será?!

Mãe doutra Emília…

Outra menina…

Outra menina cigana…

Celeste Santos

“Poesias intemporais”

03/2001- 07/2012

 
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Posted by on 3 de July de 2012 in etnia cigana, poesia, Política

 

News from my home town

CHAVES, PORTUGAL 

Important links related to this post:

  • Chaves- link to the official site of our municipality

link to a great blog (“Olhares sobre a cidade”), run by Fernando Ribeiro, daily updated, in which different themes are approached, from politics to poetry. Some posts are closely related to our town’s issues; others refer to universal questions and matters. (While visiting the blog you are tuned to a radio station. This is quite something!)

Besides that Fernando Ribeiro usually posts some of his photos, always quite good ones, whether from specific scheduled issues as for example about our villages surrounding, or from “instantaneous” events he finds relevant witnessing through his camera and sharing with people. His aim is mainly to make people aware of what’s happening around them, or simply to call their attention to something they hadn’t noticed / realized before.

Being an artist, more than a simple photographer, Fernando Ribeiro has “the eye”. The eye and the love for his art. That’s why his sensitivity guides him towards quite simple, rather “unseen” stuff for the eyes of ‘the common people’ where he finds beauty that he keeps in the eternal memory of a photo.

He shares those tiny, great, awesome things in this blog, as well. And we all are so very grateful, mainly because he’s one of our best ambassadors and all his work is done for free.

* See some of Fernando Ribeiro’s latest (posted) photos below.


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Posted by on 8 de June de 2012 in arte plástica, fotografia, nós, pintura, poesia, raízes

 

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