Inverno
Quando o Inverno chega
e nos invade a alma,
entorpece os ossos,
abandonando-nos à inércia
e ao olhar vazio, lacrimejante e etéreo…
Sentimos frio, um frio imenso,
intenso,
penetrante…
Um frio de portas escancaradas,
violentas correntes d’ar
e buracos nas fechaduras do coração.
Um frio que nos percorre a medula
e nos arrepia a todo o momento
sem cessar
sem cessar…
Quando o Inverno nos percorre as profundezas da alma
e trememos de frio por dentro, sem tiritar sequer,
não há nada nem ninguém que nos aqueça.
Nem aquele banho que ferve e nos queima a pele,
nem aquela lareira acesa que nos enrubesce o rosto!
Temos apenas frio e frio
e enroscamo-nos cada vez mais sobre nós mesmos,
em posição fetal,
e queremos apenas o calor maternal que nos falta.
Ou queremos o Verão ardente, em forma de mãe, para nos matar (d)esse frio.
Quando o Inverno nos ataca a alma
é a dor que nos invade.
(E não a gripe!)
Fria, cortante, dilacerante.
A dor da perda, da ausência eterna,
das eternas ausências.
E o frio que sentimos é uma espécie de resposta do corpo-carne:
“Sinto falta, a tua falta.
E dói tanto que me arrefeceu a alma.
E dói tanto que luto para que ela não gele.”
28 Dez. 2012




